• Thamires B. R. Pereira

Meu bebê com Torcicolo Congênito. E agora?

O torcicolo congênito (TC) é um distúrbio músculo-esquelético comum em bebês. O músculo esternocleidomastoideo (na região do pescoço) é mais espesso, tenso e encurtado, dessa forma, bebês com TC tem a cabeça inclinada para o lado do músculo afetado e rodada para o lado oposto, o movimento do pescoço é limitado e pode haver uma assimetria facial e/ou de crânio, em geral, é diagnosticada nas primeiras semanas de vida.


A causa ainda é desconhecida, mas dentre as hipóteses estão: trauma muscular devido a um parto complicado; isquemia arterial com diminuição do fluxo sanguíneo para o esternocleidomastoideo; obstrução venosa do esternocleidomastoideo; mal posicionamento intrauterino com compressão de tecidos moles, resultando em síndrome de compartimento e diferenciação prejudicada de tecidos moles; e hereditariedade.


O diagnóstico é feito clinicamente, observando as limitações nos movimentos do pescoço, a elevação do ombro no lado do músculo encurtado e a posição da cabeça (em inclinação lateral e rotação para o lado oposto). Um nódulo pode estar presente no músculo esternocleidomastoideo. Com muita frequência, este nódulo é detectado entre dez e 14 dias de vida e pode crescer durante duas a quatro semanas, até atingir o tamanho aproximado de uma amêndoa, quando então começa a regredir e pode desaparecer completamente até o oitavo mês de vida.


O Ultrassom é um método eficaz e seguro para diagnosticar o TC. Mais importante, ele pode ser usado para monitorar a recuperação dos bebês durante o tratamento.


O principal tratamento é a fisioterapia. Inicialmente é realizada uma avaliação minuciosa do comportamento motor do bebê, ou seja: Como esse bebê se movimenta?


Outro ponto importante durante a avaliação é a investigação de como é a rotina do bebê, pais e cuidadores, pois alguns hábitos podem piorar o quadro.


Como o TC pode atrasar o desenvolvimento do bebê, durante as sessões trabalha-se o desenvolvimento neuropsicomotor da criança, orientando os pais de como propiciar um desenvolvimento pleno do bebê através do livre brincar. Estimula-se o movimento ativo de pescoço para aumentar a amplitude de movimento e alongar o músculo afetado.


São dadas orientações quanto a amamentação, pois esta pode também ser prejudicada.


Com o tratamento fisioterapêutico, grande parte das crianças com TC melhoram antes do primeiro ano de vida e, com maior incidência se o tratamento for iniciado antes dos primeiros seis meses. Quando o tratamento fisioterapêutico é tardio, os pacientes podem apresentar complicações como escolioses cervicais e/ou torácicas compensatórias e dores crônicas.


Referências:

· Pagnossim LZ. et al. Torcicolo congênito: avaliação de dois tratamentos fisioterapêuticos. Rev Paul Pediatr 2008; 26(3): 245-50.

· Xiong et al. Unique finding in congenital muscular torticollis. Clinic screening on the neck of one day old neonate and ultrasonographic imaging from birth through years of follow-up. Medicine 2019; 98: 11.

· Hardgrib N. et al. Do obstetric risk factors truly influence the etiopathogenesis of congenital muscular torticollis? Orthop Traumatol 2017; 18: 359–364

· Carenzio G. et al. Early rehbilitation treatment in newborns with congenital muscular torticollis. Eur J Phys Rehabil Med 2015; 51: 539-45.

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